Triunfante, Barão Vermelho renasce com Suricato nos vocais e é ovacionado pelo público

Foto: Cleber Junior

Reverente ao passado, mas com tesão de escrever novas histórias. Este é o Barão Vermelho, que renasce em sua terceira encarnação com o multi-instrumentista Rodrigo Suricato nos vocais, os integrantes originais Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclados), além de Fernando Magalhães (guitarra) e Rodrigo Santos (baixo). Uma formação enxuta e pra lá de azeitada surgiu no palco do Circo Voador, no Rio de Janeiro, na noite de sábado (7) disposta a mostrar que, do alto de seus 36 anos, ainda tem muita lenha pra queimar.

A turnê #BarãoPraSempre chega em um momento em que o rock passa longe do que é mainstream. Não pela escassez de novas bandas, mas pela falta de espaço nas rádios dominadas pelo sertanejo universitário. Ter uma banda do porte do Barão Vermelho excursionando e dizendo aos quatro cantos que está “vivo” pode ser um norte para o gênero.

E se estamos falando de rock and roll, o som deve estar bem alto, certo? A produção da banda e da casa passaram com louvor no teste ao provar que é possível bancar um som “no talo” sem embolar os instrumentos. A experiência aliada às caprichadas projeções – predominantemente em luzes vermelhas – deram um toque moderno ao show que revisitou todos os discos de estúdio lançados entre 1982 e 2004.

Foto: Cleber Junior

E para não deixar dúvidas de que a volta era coisa séria, o novo Barão abre a apresentação com uma trinca de peso: “Pedra, Flor e Espinho”, “Pense e Dance” e “Ponto Fraco” vieram sem pausas entre uma e outra e foram suficientes para que qualquer dúvida sobre Suricato fosse dissipada. Muitos dos arranjos voltaram ao tom original das gravações em disco (Frejat baixava os tons para as apresentações ao vivo) e, por vezes, os teclados disputavam pau-a-pau a atenção com as guitarras.

Mesmo com a ausência de um disco de inéditas – que pode sair até 2018 -, o repertório do show de estreia teve algumas raridades: casos de “Dignidade” (gema esquecida do álbum Rock ‘n’ Geral, de 1987), “Enquanto Ela Não Chegar” (uma tentativa de repetir o sucesso de “Por Você”, lançada em 1999) e “Eu Não Amo Ninguém” (de Maior Abandonado, de 1984, desta vez com o tecladista Maurício Barros nos vocais).

Sempre com muitos afagos dos antigos ‘barões’, Suricato parece bem à vontade no palco e justifica a fama de agregador, como declarou o xará Rodrigo Santos. O vocalista segura a onda enquanto toca violão, guitarra e gaita, e acrescenta à musicalidade da banda. Até pedal steel guitar o músico usou em “Quem Me Olha Só”. E a confiança no talento de Suricato é tamanha que, por diversos momentos, a responsabilidade pelos solos é dividida com o ‘monstro’ Fernandão.

Foto: Cleber Junior

E falando em “dividir tarefas”, Santos também assume os vocais em “Cuidado”, que ganha um arranjo ainda mais pauleira que sua gravação original. Uma celebração ao novo momento do grupo, mais copeiro e que se diverte no palco. Em “Meus Bons Amigos”, o telão passou imagens de muitos momentos da banda desde os primeiros shows no Circo Voador com Cazuza em 1982 até os últimos momentos com Frejat e o saudoso percussionista Peninha em 2013.

Como de costume, a banda toca músicas da fase solo de Cazuza. Além de “O Tempo Não Para” (já registrada no disco Balada MTV em 1999), “Brasil” apareceu no setlist em uma versão bem mais pesada que a original. “Puro Êxtase” (com base pré-gravada da percussão de Peninha) perdeu os beats eletrônicos e também ganhou peso. A indefectível “Maior Abandonado” transforma o Circo Voador em uma grande festa, e o bis com “Pro Dia Nascer Feliz” encerra os trabalhos após uma hora e 50 minutos.

Se pudéssemos sintetizar o acontecimento da noite deste sábado, seria o momento em que o público “abraça” Suricato, Santos, Goffi, Barros e Magalhães e canta à capela o refrão de “Meus Bons Amigos”. Mais que um gesto de aprovação deste ‘novo’ Barão Vermelho, é a celebração do bom e velho rock and roll brasileiro soltando faíscas novamente.

Foto: Cleber Junior

SETLIST:

1. Pedra, flor e espinho (Roberto Frejat, Fernando Magalhães e Dulce Quental, 1992)
2. Pense e dance (Dé Palmeira, Guto Goffi e Roberto Frejat, 1988)
3. Ponto fraco (Roberto Frejat e Cazuza, 1982)
4. Carne de pescoço (Roberto Frejat e Cazuza, 1983)
5. Bete Balanço (Roberto Frejat e Cazuza, 1984)
6. Dignidade (Roberto Frejat, 1987)
7. Billy Negão (Maurício Barros, Guto Goffi e Cazuza, 1982)
8. Eu queria ter uma bomba (Roberto Frejat e Cazuza, 1985)
9. Down em mim (Roberto Frejat e Cazuza, 1982)
10. Enquanto ela não chegar (Guto Goffi e Maurício Barros, 1999)
11. Meus bons amigos (Fernando Magalhães, Guto Goffi e Maurício Barros, 1994)
12. Quem me olha só (Roberto Frejat e Arnaldo Antunes, 1987)
13. Não amo ninguém (Roberto Frejat, Cazuza e Ezequiel Neves, 1984) – [Maurício Barros nos vocais]
14. Tão longe de tudo (Guto Goffi, 1990)
15. Por você (Roberto Frejat, Maurício Barros e Mauro Sta. Cecília, 1998)
16. Por que a gente é assim? (Roberto Frejat, Cazuza e Ezequiel Neves, 1984)
17. Cuidado (Roberto Frejat, Maurício Barros e Marcelo Rosauro, 2005) – [Rodrigo Santos nos vocais]
18. Menina mimada (Maurício Barros e Cazuza, 1983)
19. Declare guerra (Roberto Frejat, Guto Goffi e Ezequiel Neves, 1986)
20. Brasil (George Israel, Nilo Romero e Cazuza, 1988)
21. Puro êxtase (Guto Goffi e Maurício Barros, 1998)
22. Maior abandonado (Roberto Frejat e Cazuza, 1984)

BIS:
23. O poeta está vivo (Roberto Frejat e Dulce Quental, 1990)
24. O tempo não para (Arnaldo Brandão e Cazuza, 1988)
25. Pro dia nascer feliz (Roberto Frejat e Cazuza, 1983)

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