George Martin mostrou ao universo pop tudo o que um produtor hábil pode fazer pela evolução de um grupo ou cantor. A parceria Martin-Beatles representou uma mudança radical tanto para o produtor quanto para os músicos. Martin, que era músico de formação clássica, tinha pouca experiência com música pop e a banda não tinha ideia das possibilidades oferecidas por um estúdio. Entre 1962 e 1969, o curso da música mundial foi completamente modificado pelo quinteto. Confira nosso Top 10 com canções dos Beatles em que o dedo de George Martin foi fundamental:
1. Please Please Me (1962)
Composta como uma balada, George Martin aconselhou Lennon e McCartney para que acelerassem “Please Please Me”. A declaração aguda após a finalização não poderia ter sido mais certeira: “Senhores, vocês acabam de gravar o seu primeiro número 1″.
2. A Hard Day’s Night (1964)
Um pequeno tesouro pode ser achado em coisas mínimas. Um simples acorde inicial fez toda diferença nesta canção. Tente imaginar “A Hard Day’s Night” sem este acorde inicial se for capaz.
3. Yesterday (1965)
A história de Paul McCartney sobre “Yesterday”, onde ele diz ter sonhado com a canção, segue como verdadeira. George Martin, depois de ouvir o que McCartney tinha, apenas com voz e violão, sugeriu a inclusão de um quarteto de cordas. Assustado com a ideia, Paul topou experimentar. E o resultado disto é que estamos falando da música que mais vezes foi regravada na história.
4. In My Life (1965)
Um dos momentos geniais de “Rubber Soul”, a música possui um piano que não é bem o que parece ser, nem no som e nem na velocidade. A parte foi escrita pelo produtor, que não conseguia tocar com a velocidade que pretendia. Gravou mais devagar, acelerou a fita e chegou ao resultado final.
5. Eleanor Rigby (1966)
A canção de McCartney é também uma canção de George Martin. Os arranjos de cordas são o reflexo de sua sensibilidade melódica e harmônica, elegante num sentido clássico e sempre à procura de atitude. O uso de violinos entre notas curtas, tensas e decisivas foi fundamental nesta gravação.
6. Yellow Submarine (1966)
O produtor foi fundamental não somente na faixa-título, mas em toda trilha-sonora do filme que seria lançado posteriormente. No disco editado no início de 1969, o lado B é totalmente composto pelas músicas de Martin.
7. Tomorrow Never Knows (1966)
Se McCartney tinha facilidade para chegar em George Martin e explicar qual efeito ele precisava, o mesmo não se aplicava a Lennon. O guitarrista era tão impreciso em suas explanações a ponto de pedir ao produtor para que sua voz soasse como o Dalai Lama no alto de uma montanha. E não é que George Martin conseguiu o efeito desejado?
8. A Day In The Life (1967)
Se não fosse George Martin e o delírio pop da dupla Lennon/McCartney, “A Day In The Life” não teria atingido aquele clímax incomparável no final do álbum “Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (na verdade, todo o disco é resultado da técnica de Martin, um destemido pioneiro na arte do “corta e cola” de estúdio, das sobreposições e manipulações sonoras). No meio da canção, uma orquestra perde o norte e sobe em direção ao infinito. A indicação de George Martin aos músicos era que “se estivessem tocando a mesma nota que o colega ao lado, era porque algo estava mal feito”.
9. Strawberry Fields Forever (1967)
O sonho psicodélico de John Lennon foi operado na linha de montagem por George Martin, que pegou nos diferentes pedaços da canção, originalmente criada como uma simples melodia acústica, e a transformou num dos mais perfeitos exemplos de trabalho em estúdio. A voz de Lennon, a bateria de Ringo, a ligação entre as diferentes partes, os arranjos sem aviso que acentuam a dramaticidade de cada momento, a fita trabalhada por um malabarista sonoro que teve aqui um dos seus melhores momentos de hipnose pop que alguma vez — ele ou qualquer outro — tenha produzido. Neste vídeo está uma versão ainda não definitiva, que mostra a diferença entre o resultado final depois de todo o trabalho de produção.
10. Revolution (1968)
O álbum todo, isso mesmo, os quatro lados dos dois discos que compõem “White Album” são provas da cumplicidade entre banda e produtor, daquelas que faz com que o mestre do estúdio seja tão importante com os músicos em sessão. O épico registo de 1968 tem 30 faixas e todas foram trabalhadas nos mínimos detalhes: seja o rock’n’roll demoníaco de “Helter Skelter”, o experimentalismo de “Revolution 9” ou a deliciosa rapsódia de garagem que é “Happiness is a Warm Gun”. Na verdade, George Martin revelou várias vezes que teria preferido um álbum simples, mais forte e coeso. Sobre “Revolution” disse que “o objetivo foi a distorção, toda a distorção disponível”. E o fez muito bem.
Fonte: http://ift.tt/1LcY2r3


Pedro
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