O Detonautas Roque Clube está em uma nova fase. Com um disco marcado para sair em outubro, “VI” não é apenas o sexto projeto de estúdio da banda, mas mais uma forma de celebrar os 20 anos de estrada.
Duas faixas já foram lançadas e o ROCKline conversou com o guitarrista Renato Rocha para tentar descobrir mais sobre o que vem por aí.
ROCKline: Olá, pessoal! Como estão? Vocês acabaram de lançar “Nossos Segredos”, o que pode nos dizer mais sobre os bastidores da música?
Renato Rocha: Estamos bem, muito animados com mais um lançamento! Nossos Segredos foi a nossa resposta a essa onda de intolerância e de discursos de ódio que estão em evidência atualmente, principalmente nas redes sociais. A canção é um pedido de trégua, de refletirmos que apesar das diferenças em diversos campos não nos vemos como inimigos de ninguém e que a nossa democracia só vai se fortalecer quando entendermos que precisamos respeitar tais diferenças, dentro do limite do bom senso, obviamente.
A letra fala de paz. Muito propício para os dias de hoje em que a gente vê notícias de intolerância religiosa, intelectual, sexual…
Exatamente! Essa é a reflexão proposta.
O sexto álbum de estúdio está vindo aí, “VI”. O que pode adiantar sobre o disco?
São 10 faixas, sendo 9 inéditas e uma regravação do Hyldon (Na Sombra de uma Árvore). Temos uma parceria com o Leoni em Dias Assim, cujo clipe já foi lançado em nosso canal oficial e contamos com Régis Leal no piano e coautor de Nossos Segredos além do Fabrizzio Iorio nos arranjos de cordas e metais em duas músicas e tocando acordeon em outra faixa. O álbum foi produzido por nós mesmos, com engenharia de áudio do Felipe Lisciel e masterizado pelo Ricardo Garcia, no Magic Master.
Este é o primeiro CD com um novo baixista. Infelizmente a banda já registrou mais de uma formação. Como acertar as diferenças criativas e manter a identidade?
Voltamos a ser um sexteto com a entrada definitiva do André Maccarrão e ele entrou para contribuir com seu talento, sem amarras. Todos podem e devem contribuir, assim chegamos à sonoridade final do álbum. Não perdemos a identidade porque quatro membros originais estão presentes nesses 20 anos. Nosso norte é a música, “ouvimos” o que cada uma dela nos sugere e definimos uma linha de arranjo, sempre abertos a experimentações, novas sonoridades. Quem acompanha e conhece nossa discografia sabe que nós não nos limitamos a fazer um tipo de som apenas, gostamos de abrir nosso leque de sonoridades. Tem até um bolero nesse álbum, por exemplo, um estilo inédito pra gente…
“Nossos segredos” abre essa nova fase, e é uma baladinha. O que podemos esperar, sonoramente, vamos dizer assim, do novo álbum?
É um álbum mais tranquilo, imaginamos que as pessoas vão ter momentos de tranquilidade e paz ao ouvirem essas músicas, justamente pra se contrapor a essa onda de sentimentos obscuros que citamos anteriormente. Um universo de amor que estamos propondo com o álbum, um momento de respirar fundo, de calar o barulho, de sentir…
São 20 anos de estrada. Os fãs cresceram com vocês. Os adolescentes de “Quando o Sol Se For” já são adultos, muitos próximos aos 40. Há essa necessidade de crescer musicalmente para acompanhar os fãs?
É muito bom ver esse crescimento dos fãs também. Incentivamos isso, que apesar das dificuldades, não há outra abordagem pra vida, a não ser encarar de frente os desafios e de cabeça erguida. Investir em conhecimento real, progredir. O crescimento musical na verdade é reflexo do pessoal. Hoje somos diferentes, e creio que melhores, do que há 20 anos e esperamos passar essa maturidade para as novas músicas. O importante é sermos verdadeiros, os fãs percebem isso e embarcam conosco em mais um ciclo… e a renovação dos fãs também é um fenômeno que percebemos muito. Crianças continuam ouvindo a gente, o público vai aumentando e vai sendo passado de uma geração para outra.
E nos shows de vocês há também uma nova garotada que havia acabado de nascer quando o álbum “Detonautas Roque Clube ” foi lançado. Como vocês encaram essa “nova geração”?
Um presente enorme ver essa nova geração nos ouvindo, indo aos shows, interagindo conosco nas redes sociais. Estamos antenados no que está acontecendo com eles, afinal somos pais também, mantemos essa conexão com a garotada.
Falando em nova geração, muito se fala que a atual não tem essa ligação com o rock and roll como antigamente por causa da falta de ídolos atuais. Vocês concordam?
Sentimos falta sim de um ícone mundial do rock, que acaba reverberando e trazendo à tona o estilo. Mas penso que o rock no Brasil, quiçá no mundo, se afastou da garotada e das periferias por não falar mais a mesma linguagem, se tornou mais elitizado e conservador, algo totalmente contrário às raízes do segmento. É um estilo contestador, polêmico, das massas… quanto mais se afasta disso, mais obscurecido fica. De nossa parte, seguimos fazendo o que acreditamos!
Como vocês enxergam o Detonautas na história do rock nacional?
De dentro da banda e vivendo essa história ao longo desses 20 anos, fica difícil fazer essa leitura. Acreditamos que já temos um espaço na história da música, mas nossa meta sempre foi a longo prazo, a sensação é de que estamos começando. Creio que gostaríamos de nos ver no futuro como uma banda que venceu as adversidades fazendo o que sempre acreditou, ainda mais quando nos propusemos a nos posicionar sobre vários assuntos polêmicos. Venceremos pagando a conta das nossas escolhas e celebrando as difíceis vitórias ao longo do percurso. O grande barato mesmo está nessa viagem, não em necessariamente chegar ao destino final!
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Pedro
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